Sabia que ele estaria lá. Sabia também que ele era inatingível. Mas nem por isso desistiu de tentar, ao menos, mais uma vez.
Enquanto se arrumava lhe vinham na cabeça as inúmeras vezes que havia jurado que aquela seria a última vez. Não foram. Talvez essa seria.. acreditou ela.
Sentia sua pupila dilatar, suas mãos suarem, seus dedos tremerem. Mas mesmo assim, saiu do carro e chegou ao seu destino.
A insegurança lhe fazia tremer as pernas. Sentia seu coração pulsar ao ritmo de uma batida frenética… pensou, por vezes, que fosse desmaiar.
Com maestria de uma dama e inocência de uma criança, sentou no último lugar. Aguardava o momento certo... um sinal ou a intervenção divina. O momento não irá chegar, pensou, e foi até lá.
A cada passo dado, lembranças invadiam sua mente. Chegaria até lá? Mesmo com medo, se aproximou.. Diversas mãos ao ar, diversos sons completavam o ambiente. Foi então que seus dedos o alcaçaram.
Algo estranho aconteceu. “Mas pensei que ele era tão quente...” Levantou os olhos e, enfim, percebera o que estava tocando.
Expressões perfeitas, linhas acentuadas. Boca, nariz, cabelo, sobrancelhas. Tudo em seu devido lugar. Era perfeito! Quase irreal... Mas era gelado. Frio, feito mármore. Duro como pedra.
Um monumento. De gelo, de mármore, de piso, de granito… não sabia ao certo. Parecia real mas, ao tocá-lo, percebeu que não passava de uma obra de arte. Perfeita, inatingível, inigualável. Mas imóvel. Sem vida, sem coração.
E entre notas e refrões, gritos e sussurros, murmúrios e estrofes, foi então que percebeu: Era um sonho. Era irreal. Era imortal, sim, mas não para ela. Não mais.
Seu amor não seria nunca o suficiente para ele, por maior que fosse.
Ele era uma estátua. Dentro daquele pedaço perfeito de mármore não existia um coração. Nem mesmo de pedra.
Ao tocá-lo percebeu que nunca poderia amar o que não se foi feito para amar... E sim, apenas e tão somente, para se admirar.
Seus olhos tornaram a olhar para o chão.. deu as costas e, decepcionada, foi embora.
Mas ela podia jurar que, pelo menos por um segundo, ouviu o coração da estátua bater.. Podia jurar que a estátua olhou pra ela. Dentro dela.
O que ela não viu foi a obra de arte abrir sua boca gélida e, ao murmúrio, chamar seu nome.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
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